Bilharacos de abóbora (sem glúten; sem açúcar; sem fritar)


Muitas vezes confundidos com sonhos de abobora, este é um doce tradicional do Natal na região de Aveiro onde vivo, mas, curiosamente, faziam parte do cardápio de Natal em casa dos meus pais, Seia, Serra da Estrela.
A minha mãe nunca deixou de os fazer. Dizia ela, e não fui pesquisar nada sobre o assunto, que aqueles, os que ela fazia, era bilharacos e não sonhos de abobora, pois quase não tinham farinha, ao contrário dos sonhos. Se não me engano, e peço desculpa se o fizer mas já lá vão muitos anos, a minha mãe fazia mesmo sem farinha, era só abobora, ovos, vinho do Porto ou laranja e açúcar, muito pouco açúcar, porque o que realmente adoçava era o que se colocava depois de fritos.
Depois da minha mãe falecer e o Natal ter passado a ser na minha casa, eu e a minha irmã mais velha fizemos questão de manter as tradições e de não faltar á mesa tudo o que a nossa mãe fazia. Habitualmente dividimos as tarefas de acordo com aquilo que cada uma tem mais jeito para fazer ou de acordo com quem tem os ingredientes necessários em casa. Não era costume os bilharacos calharem-me a mim, salvo um ou outro ano em que me deram aboboras pelo natal. Este ano parece que vai ser...
O curioso é que nem eu nem ela os comemos. Fazemos apenas para manter a tradição, como já disse, e porque os nossos maridos adoram! Adoram mesmo e comem imenso, não só bilharacos como rabanadas e sonhos. Não sei como, mas eles não ficam indispostos. Aqueles estômagos e fígados parecem feitos de ferro.
É que a razão porque eu não como não tem só que ver com dieta, tem muito mais que ver com o ficar indisposta com a quantidade de óleo que eles absorvem e nós ingerimos. Eu fico mesmo doente, a ponto de ter de ir para a cama. Já nem arrisco e por isso não como. Há já alguns anos que não comia um bilharaco.
Hoje comi e senti uma enorme satisfação.
Com muita pena minha, não tinha abobora menina. Tinha uma fantástica que me foi dada (Obrigada Cláudio e Luísa!!), adorei a qualidade, embora não saiba aqui identificar, mas é amarela por dentro, o que fez com que tivessem ficado mais clarinhos.






Vão precisar de:
  • 1 abobora com cerca de 2kg (deverá render cerca de 2 chávenas de puré de abóbora depois de bem escorrida)
  • 3 colheres de sopa de farinha de arroz sem glúten (ou outra que preferiam)
  • 1 colheres de sopa de amido de milho (maizena) ou polvilho doce
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • raspa de 1 laranja
  • 5 ovos
  • 3 a 5 colheres de sopa de mel dependendo se vão fazer simples, só com canela, ou com calda
  • 2 colheres de sopa de vinho do Porto (ou da Madeira)
  • miolo de noz e passas ou pinhões (opcional)
Calda (opcional)
  • 50ml de vinho do Porto
  • 2 paus de canela
  • 2 colheres de sopa de mel
Confeção:
Comecei por partir a abóbora, limpá-la, cortar em pedaços e cozer por cerca de 10 minutos. Escorri, triturei com a varinha mágica e coloquei num pano em cima dum passador grande. Apertei o pano, várias vezes e em varias posições, para que saia o máximo de água. Se quiserem podem deixar no passador dum dia para o outro para escorrer a água.


Pus o forno a aquecer a 200ºC.
Virei a abobora já sem água para uma tigela. Devem ter cerca de 2 chávenas de puré de abobora. Acrescentei os restantes ingredientes e misturei bem com o batedor de varas manual. Se não fizerem a calda de mel e vinho do Porto, convém colocar um pouco mais de mel, 1 a 2 colheres de sopa. Optei por adicionar passas e noz apenas a metade da massa.
 Forrei o tabuleiro do forno com papel vegetal.
Coloquei pequenas porções da massa, do tamanho duma colher de sopa e apenas deixando cair da colher, em cima do papel.
A metade da massa juntei noz e passas picadas e repeti o processo.




Levei ao forno 20 minutos (não deixem muito mais para não perder aquela cremosidade característica dos bilharacos.
Dica: Podem colocar a canela antes de ir ao forno para que ela agarre melhor. Eu fiz apenas numa fila para verem.
Para a calda, levei o vinho do Porto ao lume com os paus de canela a ferver por 5 minutos. Desliguei o lume e juntei o mel. Está pronto.

Retirei do forno e polvilhei umas com canela e outras mergulhei na calda. Também podem apenas regar com a calda.


Tão bom poder comer o que mais gostamos sem culpas nem indisposições!






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